A vaidade é saudável quando bem dosada. Passei toda a adolescência com a sensação de ter sido lesada pela vida neste quesito. Aos 12 anos minha altura e peso eram inversamente proporcionais a realidade de alguém que está prestes a entrar na fase da experimentação consentida, pelo menos era assim que eu pensava. Nessa época, eu já tinha a altura que me acompanharia na idade adulta e o peso de uma menina de 10 anos, ou seja, uma esquisitinha. Apelidos não faltaram para lembrar-me de que a natureza havia esquecido de colocar formas e curvas nos ingredientes que formaram a receita de meu corpo. Mini-saias ficavam estranhas e vestidinhos até os joelhos, uma catástrofe. O tempo passou e entendi que ser magra e alta era o sonho de todas as mulheres adultas, então, resolvi não sofrer mais. Minha mãe dizia que "toda menina apelidada de Olívia Palito, vira uma mulher linda e sem problemas com a balança". Sanado o trauma de garça desengonçada, dei asas a minha vaidade e comecei a usar brilho labial (gloss é atual demais, na minha adolescência o nome era brilho), sandálias e tamanquinhos com saltos médios, todas as pulseiras que meus braços pudessem suportar, anéis e presilhas coloridas no cabelão (na época eu tinha mais cabelo na cabeça do que o Tony Ramos tem pelos espalhados pelo corpo). Uma legítima árvore de Natal! Mas eu não estava totalmente feliz, pois descobri que tinha uma alergia a esmaltes e acetonas. Ou seja, eu jamais poderia pintar as unhas. E toda vez que tentei, vi minhas mãos transformarem-se em mãos de uma senhora com mais de 80 anos. Fui a inúmeros dermatologistas, fiz tratamentos demorados e nada da alergia desaparecer. Aquilo era uma catástrofe na vida de uma adolescente! Passei todos os anos de minha vida sem poder dar um toque no visual com um esmalte que combinasse com a roupa usada. Nos aniversários, casamentos, Natais e reveillons não pude pintar as unhas de dourado, prata ou vermelho. Comecei a odiar a indústria de esmaltes. Já adulta, desejei que as florzinhas, que enfeitavam as unhas das sortudas não-alérgicas, murchassem. Sentia como que lesada em um direito básico.
2011 não foi um ano fácil e para agravar as dificuldades, tive que colecionar unhas curtinhas e, assim como o que aconteceu em alguns momentos do ano que passou, sem cor.
Voltando às lembranças de minha mãe, lembrei de uma frase que ela dizia sempre que eu e a maninha demonstrávamos estar entregando os pontos. "Filha, hoje podes não conseguir algo, mas isso não significa que não tenhas direito de possuir o que desejas para sempre".
Brindei o ano novo de unhas vermelhas. Isso mesmo, unhas vermelhas! Não tive sintoma algum de alergia. É claro que usei produtos específicos para quem tem sensibilidade aos componentes formadores dos esmaltes.
Querem saber o motivo que me fez escrever esse texto? A história das unhas só ilustra o que desejo a vocês e a mim também. Que 2012 traga junto com as dificuldades, a certeza de que quando não conseguirmos algo em um determinado momento, não significa que não tenhamos o direito ao que desejamos para sempre. Um dia, a nossa vez irá chegar!
Um ano novo de harmonia, luz, sorrisos e a certeza de que somos capazes de superar as dificuldades.
Um beijo e um lindo 2012 a todos vocês.
domingo, 8 de janeiro de 2012
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11 palavreando:
Que todas nós consigamos superar os desafios e possamos exercer o direito de ser feliz, mesmo com pequenas coisas!
Superar as dificuldades, os obstáculos, os impossíveis, não apenas superando, mas lhes colocando a língua atrevida de deboche!
E assim será!
Um grande bj querida amiga
OiOi, achei teu blog no de um amigo, e adorei, como leitora nata que sou.!
Parabens pelo blog ^^
Te sigo s2
Me segue também?
http://obscure-meianoite.blogspot.com/
><
Que os obstáculos não sejam nada perto de nossa alegria ^^
Quase que me assustaste com o título...lol Mas lendo...és tu:)
Concordo plenamente contigo minha linda.
Teus textos são verdadeiros carinhos aos olhos Marinha.
É bom demais te ler.
Que este ano você consiga TUDO , mas TUDINHO o que sempre quis amada.
Beijinho
Marinha,
Mês passado, uma amiga de 65 anos deixou o medo de lado e assinou o financimento de um apartamento novo. Achei aquilo uma ousadia, quase achei uma falta de bom senso. Mas depois, pensei: que extraordinário uma pessoa ainda ter sonhos e ir à luta para realizá-los. Corajosa!
E agora leio o seu post, tão delicado, tão sincero, compartilhando momentos de sua infância.
Nunca devemos desistir de nossos sonhos, especialmente, daqueles que só dependem de nós.
Obrigada!
Desejo um ótimo 2012 pra você também!
Marinha,o que é isso menina? A cada novo post um texto melhor que o outro! Estou gostando de ver e aprecio muito seu jeito de escrever. E sabe o que mais? Você já sacou que quando se escreve com o coração tudo fica muito bom!
Que todos nós também um dia consigamos usar o "esmalte vermelho" que merecemos na vida.
Beijos
Querida amiga Marinha,
Lindo seu texto, me identifique muito! Na adolescência eu também não era o que se chama de padrão de beleza, e hoje, aos quase 21 não posso usar esmalte nem algumas maquiagens pelo mesmo motivo que o seu!
Sabe que esse foi um dos meus desejos na virada do ano? Que eu pudesse voltar à pintar as unhas e me livrasse da alergia? Coincidência!
Que todos nós possamos superar esses momentos de impossibilidades sem esmorecer! Amanhã é sempre um outro dia, repleto de outras novas maneiras de se chegar lá.
Obrigada pelo carinho lá no meu cantinho, mesmo com minha ausência e as teias de aranha, você sempre passando pra deixar um cheiro.
E me perdoe por ter sido tão desnaturada, ainda assim, não me esqueço de quem traz brilho aos meus dias, mesmo de longe ^^
Ótimo ano pra você! Todas as flores do mundo neste 2012!
Um beijo no coração, até breve!
Aline!
Gosto de ler o que você escreve de forma leve e verdadeira...escreve com o coração!
Um abraço
Olá, querida
A auto estima deve sempre estar no lugar pra gente não viver sofrendo o que não vale a pena!!!
Bela opção pelo vermelho!!!
Bjm de paz e alegria
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