sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Contrato

Vamos combinar o seguinte:

A partir de hoje fica proibido fingir que estamos felizes. Dizer eu te amo só por dizer, também, não pode. A falta de assunto e o automaticismo da vida não devem servir de pretexto para falarmos de amor.

Se surgir a vontade de ficar só, avisa. Dormir agarradinho é bom demais, mas, às vezes, se espalhar na cama é tudo que o corpo precisa para estar inteiro no outro dia. Então, nada de fazer beiço, de gerar conflito se eu ou você, um dos dois, qualquer um, resolver ter um tempo só pra si. Andamos tão juntos, que parece que esquecemos que, mesmo sendo um só, somos dois.

Lê bem o contrato. Ele vai ficar impresso nas paredes do teu corpo e do meu. Depois não quero testa franzida ou cara amarrada em desacordo com o que aqui está determinado.

Antes de assinar, abre a caixinha dourada, aquela ali com laço vermelho de veludo, que lembra o toque da tua pele. Abriu? Agora, pega teu coração. Devolvo o teu e quero o meu de volta, porque entendi que quando amamos de verdade, o outro não precisa ficar aprisionado. Nada de amarras. Só aquele querer incontrolável de estar no outro. Então, cada um do seu jeito e com sua vontade tem que poder voar pelo mundo inteiro e, mesmo assim, manter o coração livremente aprisionado ao amor do outro, mas, mágica e misteriosamente, guardado dentro do seu próprio peito.

Estamos combinados assim? Pode assinar!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Unhas vermelhas e 2012

A vaidade é saudável quando bem dosada. Passei toda a adolescência com a sensação de ter sido lesada pela vida neste quesito. Aos 12 anos minha altura e peso eram inversamente proporcionais a realidade de alguém que está prestes a entrar na fase da experimentação consentida, pelo menos era assim que eu pensava. Nessa época, eu já tinha a altura que me acompanharia na idade adulta e o peso de uma menina de 10 anos, ou seja, uma esquisitinha. Apelidos não faltaram para lembrar-me de que a natureza havia esquecido de colocar formas e curvas nos ingredientes que formaram a receita de meu corpo. Mini-saias ficavam estranhas e vestidinhos até os joelhos, uma catástrofe. O tempo passou e entendi que ser magra e alta era o sonho de todas as mulheres adultas, então, resolvi não sofrer mais. Minha mãe dizia que "toda menina apelidada de Olívia Palito, vira uma mulher linda e sem problemas com a balança". Sanado o trauma de garça desengonçada, dei asas a minha vaidade e comecei a usar brilho labial (gloss é atual demais, na minha adolescência o nome era brilho), sandálias e tamanquinhos com saltos médios, todas as pulseiras que meus braços pudessem suportar, anéis e presilhas coloridas no cabelão (na época eu tinha mais cabelo na cabeça do que o Tony Ramos tem pelos espalhados pelo corpo). Uma legítima árvore de Natal! Mas eu não estava totalmente feliz, pois descobri que tinha uma alergia a esmaltes e acetonas. Ou seja, eu jamais poderia pintar as unhas. E toda vez que tentei, vi minhas mãos transformarem-se em mãos de uma senhora com mais de 80 anos. Fui a inúmeros dermatologistas, fiz tratamentos demorados e nada da alergia desaparecer. Aquilo era uma catástrofe na vida de uma adolescente! Passei todos os anos de minha vida sem poder dar um toque no visual com um esmalte que combinasse com a roupa usada. Nos aniversários, casamentos, Natais e reveillons   não pude pintar as unhas de dourado, prata ou vermelho. Comecei a odiar a indústria de esmaltes. Já adulta, desejei que as florzinhas, que enfeitavam as unhas das sortudas não-alérgicas, murchassem. Sentia como que lesada em um direito básico.

2011 não foi um ano fácil e para agravar as dificuldades, tive que colecionar unhas curtinhas e, assim como o que aconteceu em alguns momentos do ano que passou, sem cor.

Voltando às lembranças de minha mãe, lembrei de uma frase que ela dizia sempre que eu e a maninha demonstrávamos estar entregando os pontos. "Filha, hoje podes não conseguir algo, mas isso não significa que não tenhas direito de possuir o que desejas para sempre".

Brindei o ano novo de unhas vermelhas. Isso mesmo, unhas vermelhas! Não tive sintoma algum de alergia. É claro que usei produtos específicos para quem tem sensibilidade aos componentes formadores dos esmaltes.

Querem saber o motivo que me fez escrever esse texto? A história das unhas só ilustra o que desejo a vocês e a mim também. Que 2012 traga junto com as dificuldades, a certeza de que quando não conseguirmos algo em um determinado momento, não significa que não tenhamos o direito ao que desejamos para sempre. Um dia, a nossa vez irá chegar!

Um ano novo de harmonia, luz, sorrisos e a certeza de que somos capazes de superar as dificuldades.

Um beijo e um lindo 2012 a todos vocês.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

NATAL em primeira pessoa

E mais um ano passou! 2011 foi um ano de muita luta, determinação e superação. Êta ano que exigiu uma dose generosa de entusiasmo pela vida! E que bom que foi assim ou os problemas que surgiram ao longo dos (quase) 365 dias de 2011 teriam marcado o ano com retrocesso e derrota individual.

Se eu tivesse que resumir em poucas palavras o ano que finda, traduziria toda a vida vivida em AMIZADE, SOLIDARIEDADE e FÉ. O estresse e as lágrimas provocadas pelos três meses que tive que morar em um hotel, pela doença, que quase culminou na morte de meus gatinhos, pela falta de grana, ocasionada pelos gastos exorbitantes com hospedagem e veterinários, reforçou o quanto sou agraciada pela presença de pessoas que, independente de meu estado de espírito, se mantêm firmes a meu lado. O que falar do fogo que,  em menos de 48 horas de morada em minha casa nova, quase pôs fim ao sonho de muitos anos. Pôxa, agora não poderão dizer que não tenho motivos para ficar triste! Realmente eu os tinha, mas sabem o que mais eu possuía? Dezenas de razões para ser feliz. Tenho amigos verdadeiros, filhas que me enchem de orgulho e amor, namorado que nem com a maior das tempestades se afasta do meu lado. Ahh, não posso esquecer, que tenho também saúde, força, uma casa linda e dois gatinhos que enchem de encantamento meus dias mais normais.

O ano foi duro e, curiosamente, me fez mais leve. Passei a ouvir mais o que não digo. Meus passos têm valor que de quem caminha pela primeira vez e meus amigos são, certamente, o maior de meus tesouros.

E é assim, feliz, esperançosa e com o sorriso no rosto, que desejo a todas e todos os amigos e leitores que passam por aqui, o melhor Natal de suas vidas. E se nem tudo for do jeito que querem, não desanimem, porque os problemas são do tamanho exato da importância que damos a eles. 2011 foi bom para reforçar o quanto sou feliz!

Um beijo e todos os meus sorrisos para vocês.












sábado, 17 de dezembro de 2011


"As dores do mundo já posso suportar.
As guerras e aflições já posso suportar.
Pela força que em mim está, já posso suportar.

O maior dos espíritos habita em mim;
sou a casa que ele escolheu para morar.

E por isso, já posso suportar."

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Bom final de semana, amores!!!

É só pensar em você
Que muda o dia
Minha alegria dá pra ver
Não dá pra esconder
Nem quero pensar se é certo querer
O que vou lhe dizer
Um beijo seu
E eu vou só pensar em você
Se a chuva cai e o sol não sai
Penso em você
vontade de viver mais
Em paz com o mundo e comigo
Se a chuva cai e o sol não sai
Penso em você
Vontade de viver mais
Em paz com o mundo e consigo


Pensar em você - Chico César

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A velha menina

Era uma vez uma menina com sonhos de mulher. Diferente das outras meninas, ela não sonhava com um príncipe encantado. A menina desejava encontrar alguém que fosse companheiro, amigo e que dividisse com ela um amor sem limites. A menina frequentou pouco a escola, pois tinha que cuidar dos sobrinhos pequenos. Como tinha muitos irmãos e todos mais velhos do que ela, sempre havia sobrinhos para cuidar. As brincadeiras de crianças também passaram rápidas pela vida da menina. Pequena, franzina, trabalhava como gente grande. Morou em outros estados, mas conheceu pouco dos lugares por onde andou. Se morava aqui ou acolá era para cuidar de algum sobrinho. Um dia, a menina retornou a sua cidade e conheceu um rapaz por quem apaixonou-se. Imaginou ser ele o homem com quem dividiria sonhos de uma vida. Casou, teve filhos e, ainda menina, experimentou a dura realidade de quem acorda de um sonho e pensa estar em um pesadelo. Cuidava da casa, dos filhos, dos primos pequenos do marido, da sogra e recebia dele mentiras e traições. Ria pouco a menina. A menina cresceu e com ela cresceu a certeza de que aquele homem não era a pessoa com a qual ela sonhava. Veio a separação e a menina de cabeça erguida engoliu a dor e sentiu-se aliviada. Trabalhava fora, cuidava da casa, dos filhos, da ex-sogra e ajudava a cuidar dos netos. Fazia pouco que havia aprendido a sorrir e o sorriso ficou amarelo... um dos filhos da menina que virou mulher foi morar no céu. Ela pensou "dor maior que esta não há, nada mais me fará infeliz". Casou mais duas vezes, mas não encontrou o homem dos seus sonhos. O tempo passou e ela entendeu que, talvez, não mais fosse encontrá-lo. Ficou muito doente e hoje passa quase que todo o tempo na cama sonhando sonhos de menina. Sonha com uma vida sem dor, brincadeiras, algodão doce e príncipe encantado.


REEDIÇÃO (1ª postagem em set/2009)

sábado, 26 de novembro de 2011

Microconto: Cores

E quando as palavras da vida foram tingidas de cinza e a esperança teimava em vestir-se de incolor, surgiram letras azuis, amarelas, vermelhas e verdes e ela voltou a escrever colorido.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

To com o saco cheio! Mil vezes saco cheio. Ouvidos cheios de desabafos metralhados. Garganta cheia de palavras não ditas. Despertar com sorrisos que tornam-se, em minutos, em uma simples saída para almoçar (onde o almoço nem foi saboreado), lágrimas de susto e desespero."Saco é coisa de homem, filha!". Mulher tem saco também. Nosso saco não fica entre nossas pernas, mas carregamos o todo do mundo nos sacos que temos nos ouvidos, na garganta, nos sentidos. Quem estiver som o saco vazio, que dê um passo a frente. Porque o meu está cheio! Saco cheio de mim e meu teatro.

Fala de Luma, a rapariga do sul.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Coisa de outro mundo

Ele só queria ficar ali, naquela noite de um abafamento que fazia com que seus pensamentos fritassem na cabeça já acostumada a cefaleias. Embaixo da velha amoreira, que além de frutos oferecia conselhos, o homem nem velho nem novo, olhava para o céu. Mas um objeto voador não identificado resolveu atrapalhar sua conversa com os pensamentos repetitivos e com a árvore-conselheira. Logo no momento em que as respostas começavam a surgir, aquela coisa tinha que sobrevoar o quintal de sua casa!

Olhou para o céu, fez um sinal para o objeto aproximar-se e esperou. Em segundos o ovni começou a descer. A luz intensa quase cegou o homem e seus pensamentos. E o objeto voador não identificado baixou até a altura da árvore. Os pássaros que ali dormiam saíram em revoada barulhenta. O homem afastou-se um pouco da amoreira para observar melhor o invasor e para que pudesse ser visto também. O ovni desceu um pouco mais e quando estava prestes a "engolir" o terráqueo de todas as idades, uma pedra foi lançada, certeira, na janelinha do disco voador, acertando a cabeçinha do piloto do objeto.

- Agora vai! Quem mandou vir atrapalhar meu momento de reflexão? E aproveita, que hoje estou zen! Porque se isso tivesse acontecido ontem, que eu estava zangado...

Assim como surgiu, o ovni desapareceu. E o homem pode voltar à conversa com seus pensamentos e a amoreira. A tranquilidade da vida no interior era propícia a momentos de encontro consigo, com a natureza e com gente desse mundo e do outro mundo também.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima

Ela caiu.
Há quedas e quedas. Quanto mais "certinha" for a pessoa, mais tempo levará para sair do chão.  Os descolados parecem ter um sistema de amortecedores de última geração acoplado ao corpo e ao espírito. Agem tão rapidamente quando caem, que quem observa o tombo fica na dúvida se a ação ocorreu ou não. Tem queda de quatro, de bunda, de cara no chão. Joelhos, cotovelos, palmas das mãos sofrem com a ação da gravidade e com a distração das cabeças que os dirigem.
Mas ela caiu e não arranhou um centímetro do corpo. E assim como caiu sem cair, levantou. Ficar no chão não era, certamente, uma boa maneira de seguir a vida.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Casa limpa

O fogo queimou a casa da menina que sonhou com um lugar para contar a sua história. Ela quis muito, desejou com as forças herdadas do mundo. Orou. Mentalizou. E quando, enfim, colocou os pés do coração na casa, veio o fogo vermelho e amarelo e lambeu as coisas todas. A menina chorou e a tristeza se instalou nela inteira. Vieram os amigos encantados de todas as cores e tamanhos e sorrisos e dançaram uma música que somente os que andavam no caminho da luz podiam ouvir. A menina achou graça e esqueceu a dor. Dormiu e sonhou com o fogo vermelho e amarelo. No sonho muitas coisas foram reveladas e ela pulou, ainda dormindo, para o mundo dos acordados. A menina correu a chamar os amigos; pintaram a casa, dançaram aquela música secreta e quando tudo estava lindo novamente, veio o fogo colorido e benzeu a casa encantada, mas nada foi queimado. O calor e a luz do fogo deram destaque a energia de paz que havia no lugar. Agora, ela poderia começar a escrever sua própria história, pois todo o mal fora consumido pelas chamas do fogo vermelho e amarelo do amor.

*Agradeço pela solidariedade e amizade de todos! Quem tem amigos, tem tudo mesmo!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Top Blog 2011 - 2ª fase

Amigas e amigos leitores, o blog ficou entre os finalistas para a segunda fase do Top Blog 2011, categoria literatura.

Agradeço a todas e todos que votaram e divulgaram o prêmio! Agora, é a reta final, e peço, mais uma vez, o apoio de cada um. Votem aqui (ou no selo azul na coluna ao lado), novamente, e façam essa construtora de palavras ainda mais feliz.

Palavras socializadas alcançam distâncias impensáveis! E é, exatamente, esse o principal objetivo do blog, levar palavras a pessoas daqui e de acolá.

Uma semana de paz, sorrisos e palavras de amizade verdadeira para todos vocês!

Um beijo.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Feio mesmo!

Em frente à tv, Maguinha  e Ferrinho assistiam ao Fashion alguma coisa.

- Diz aí , Ferrinho, quem é feio pra ti!

- Quem é feio ou bonito não sei dizer agora não. Mas sei bem sabido o que é feio. Feio é não ter o que dizer e inventar causos sobre as outras pessoas e depois quando as outras gentes ficam com as vidas destruídas, o inventor ter a cara de pau de querer ser tratado com justiça. Quem pede justiça tem que ser justo, não é?

- Puxa, isso é muito feio mesmo!

- Ah, lembrei de mais uma feiosidade: Feio é ser tão pequeno a ponto de querer diminuir o tamanho do bem que os outros fazem. Feio é querer crescer, diminuindo as outras pessoas. E não to falando de pequeno de tamanho do corpo, viu.

- Ai, Ferrinho, depois dessa tua falação toda já nem acho essas modelos bonitas.

sábado, 8 de outubro de 2011

Darma

Nunca havia sido tão ela quanto agora. As roupas já não a vestiam, ela sim as moldava. O medo de menina não mais colocava amarras na vontade de viver. Se alguém não gostasse de suas escolhas, que não escolhesse olhar para ela, pois estava segura de que o melhor para si, seria trilhar o próprio caminho. Fórmulas prontas não mais interessavam,   abriu mão das receitas e das dicas do horóscopo. Acordou, naquela manhã de primavera, com gosto de verão, outono e inverno na boca do estômago e enxergou tudo com os olhos de seu coração. Não ansiava por saber do futuro, queria fazer do presente o melhor presente para si. Viver um conto de fadas não parecia uma boa ideia. As fadas deveriam ter mais o que fazer, e algo falava baixinho dentro dela que o melhor dos contos é aquele contado enquanto vivemos. Naquele momento (e esperava que nos seguintes também), um conto de uma mulher feliz, seria o suficiente!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Dica de leitura


Divido com vocês uma leitura bem interessante! Daniel Galera em sua narrativa simples e direta leva o leitor para um mundo tão comum quanto inusitado em Até o dia em que o cão morreu. O protagonista, desprovido de grandes projetos e ambições, encontra-se, em determinado momento, obrigado a escolher entre um cotidiano repleto de amarras e nenhum sobressalto gerado pelas emoções, e as infinitas possibilidades oferecidas pelos afetos.
Vale muito a leitura!






Narrativa divertida em forma de autorretrato. Fabrício Carpinejar usa e abusa de relatos pessoais em um livro de leitura fácil e mensagem para além das ilustrações e da caricatura de si. O inusitismo vem da forma quase lúdica de tratar um tema tão complexo como o bullying.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

As coisas

- Ei, Ferrinho, por que anda tão calado?

- Porque sim!

- Como assim, porque sim?

- Porque foi isso que a minha cabeça mandou a minha boca responder pra ti, ora.

- Ah, fala! Conta coisas. Me faz rir.

- Maguinha, não quero contar coisas. Preciso ficar com as coisas dentro de mim. Se for contar tudo, corro o risco de encontrar mais coisas dentro do meu peito, e aí é que ficarei calado mesmo. Minha vó dizia que quando as coisas fazem a gente calar, é bom ficar quieto. Tem que dar um tempo para a cabeça e o coração entenderem as coisas, cada coisa de uma vez. Entende? Então, respeita meu silêncio. E se tem muita vontade de saber das minhas coisas, dá uma olhada pra mim. As coisas não saem pela minha boca, mas aparecem nos meus olhos, no sorriso que não vem e nos suspiros que só as coisas fazem meus sistemas nervoso, respiratório e sensacional (esse é o sistema das sensações) colocarem pra fora.

- Ai, que coisa, Ferrinho!

domingo, 18 de setembro de 2011

Quem não tem cão, caça com... Zas.

Problema de identidade não é prioridade dos humanos. Conheço um gatinho que pensa, às vezes, que é passarinho, e em outras feitas, acredita ser um cão ou um macaco. O nome do figurinha é Zas, um angorá tão lindo quanto arteiro.

Há dias em que ele sobe em árvores e emite um som muito similar ao canto dos passarinhos. Nessas ocasiões, o danado do Zas treme o corpinho de bailarino, mexe os bigodes e "canta" como os pardais. Acho que, por alguns minutos, esqueça ser um felino.

Ontem, depois de muito currinchar e fazer um bailado esquisito, o maluquinho do gato subiu em uma árvore de uns 10 metros. Quando chegou bem no alto, deve ter delirado que era macaco e pôs-se a pular de galho em galho. Eu, não sabendo o que fazer (e com uma forte tendência a dramaturgia), abri os braços na expectativa de ter que segurá-lo, caso despencasse da arvorezona. Mas, felizmente, nenhuma tragédia aconteceu. Quando ficou cansado de brincar de faz-de-conta, o Zas bateu asas e em segundos estava com as patinhas no solo firme.

Hoje, enquanto saboreávamos o tradicional chimarrão de domingo com rapadura, o Zas, em mais uma crise de identidade e demonstrando talento para a arqueologia, desenterrou um osso de algum ancestral dele (ou meu). Assim que tentei tirar aquela coisa suja de areia da boca do bichano, ele rosnou e escafedeu-se para um local desconhecido e não revelado. É isso mesmo, o gato rosnou como um cão.

Pobre Zas! Sei que o comportamento dos bichos não pode ser comparado ou entendido como o comportamento humano, pois homens e bichos por mais próximos que sejam, têm códigos comportamentais que os diferem uns dos outros e... miaauuuu!!!... Desculpem-me! Mas passou um rato por aqui e eu odeio ratos na mesma proporção que amo peixes e outros petiscos. Mas como eu ia dizendo, gatos e humanos nada têm a ver uns com os outros. Miau!
 
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